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Vacinação do Adulto
Para muitos profissionais da saúde ainda é freqüente o conceito de que vacina é assunto exclusivo de criança. Entretanto, para os adultos, e especialmente para os idosos, existem indicações bem definidas de vacinação que, quando seguidas corretamente, apresentam significativo benefício em termos de redução de morbidade e/ou mortalidade. Adultos que não tiveram algumas doenças como sarampo, rubéola, varicela, hepatite A ou que não receberam vacinação adequada continuam expostos a essas doenças, que freqüentemente têm manifestações mais graves nessa faixa etária. Um aspecto importante é que geralmente os adultos não têm registros adequados das vacinas recebidas, o que muitas vezes dificulta um planejamento para imunização. Neste sentido, é fundamental que sejam orientados a manter a carteira de vacinas atualizada e acessível. Algumas vacinas têm indicação rotineira para todos os adultos, outras devem ser utilizadas em situações especiais e, num terceiro grupo, encontram-se vacinas que podem ser utilizadas nos adultos de acordo com disponibilidade e a avaliação do médico. As principais vacinas utilizadas pelos adultos são as descritas a seguir.
Vacina dupla adulto (difteria e tétano)
A dupla adulto é recomendada a cada dez anos para todos os adultos que tenham o esquema vacinal básico realizado com três doses. Caso o adulto não tenha sido vacinado previamente, o que se recomenda é a realização do esquema básico da seguinte forma: a primeira e a segunda doses devem ter intervalo de quatro a oito semanas e a terceira dose após seis a 12 meses da segunda dose. Para os adultos que receberam previamente apenas uma ou duas doses não é necessário reiniciar o esquema, mas apenas completá-lo. Para a profilaxia do tétano após ferimentos, deve-se utilizar de preferência a dupla. A conduta é a seguinte:
Quadro 18. Conduta para a profilaxia do tétano no adulto N. de doses prévias Conduta de acordo com o tipo de ferimento Limpo Contaminado
3 ou mais dupla se última dose há mais de 10 anos dupla se última dose há mais de 5 anos menor do que 3 ou desconhecida dupla dupla + imunoglobulina** (vide capítulo Uso de imunoglobulinas nas doenças infecciosas).
Vacina contra influenza (gripe)
Está indicada formalmente nos seguintes grupos de risco:
todas as pessoas com idade superior a 50 anos;
pacientes com doenças crônicas cardíacas, pulmonares, renais ou metabólicas;pacientes com hemoglobinopatias;
pacientes imunodeprimidos;
pacientes infectados pelo vírus HIV assintomáticos ou com poucos sintomas e contagem adequada de CD4.
Manual de Imunizações
gestantes que estarão no segundo ou no terceiro trimestre de gestação no período epidêmico;
profissionais da saúde que tenham contato com pacientes de risco;
outros profissionais que cuidem de pacientes de risco, por exemplo que trabalhem com idosos. Além das indicações formais, qualquer adulto pode receber a vacina com o objetivo de reduzir a incidência de gripe e o absenteísmo ao trabalho. A vacina deve ser aplicada anualmente e, de preferência, no início do outono: março ou abril (vide capítulo Vacina contra influenza).
Vacina contra pneumococo
A vacina polissacarídica contra pneumococo está indicada formalmente nos seguintes grupos:
todas as pessoas com idade superior a 60 anos;
pacientes com doenças crônicas cardíacas, pulmonares, renais ou metabólicas;
pacientes com anemia falciforme ou outras hemoglobinopatias;
pacientes com imunodeficiências congênitas;
pacientes com doenças linfoproliferativas (de preferência antes do início da terapia imunossupressora);
pacientes com fístula liquórica;
pacientes com infecção pelo HIV;
alcoólatras;
pacientes esplenectomizados (se possível, a vacina deve ser feita pelo menos duas semanas antes da esplenectomia);
após transplante de órgãos ou medula óssea. A revacinação deve ser realizada em alguns casos, de acordo com o esquema do quadro 19.
Quadro
19. Indicações para revacinação de vacina pneumocócica no adulto
Indicação Revacinação
Idade acima de 60 anos 1 dose após 5 anos, se foi vacinado antes de 65 anos Imunodeficiências, tumores ou após transplante, asplenia anatômica ou funcional, síndrome nefrótica 1 dose após 5 anos Doenças crônicas cardíacas, pulmonares ou metabólicas, fístula liquórica Não indicada A revacinação precoce, assim como um maior número de doses de reforço não estão indicados porque pacientes com altos títulos de anticorpos apresentam maior incidência de reações locais ou sistêmicas. Uma observação importante é que as novas vacinas conjugadas antipneumocócicas não devem ser utilizadas nos adultos porque ainda não foram adequadamente estudadas nesse grupo etário.
Vacina contra sarampo, caxumba e rubéola
Adultos sem história clínica prévia para sarampo ou que tenham recebido apenas uma dose de vacina antes de um ano de idade devem ser imunizados. A vacina é aplicada em dose única.
As
contra-indicações são:
história de reação anafilática à proteína do ovo ou a neomicina;
gravidez;
imunodepressão de qualquer natureza;
quimioterapia ou terapêutica imunodepressora.
A vacina deve ser postergada por pelo menos três meses após transfusão de sangue ou hemoderivados. Todas as mulheres em idade fértil que não receberam a vacina ou que receberam apenas uma dose antes de um ano de idade devem ser imunizadas. A vacina é aplicada em dose única. Além das contra-indicações descritas acima para a vacina contra o sarampo, as mulheres em idade fértil devem ser orientadas a evitar a gravidez por um mês. A vacina deve ser postergada por pelo menos três meses após transfusão de sangue ou hemoderivados.
Vacina contra hepatite B
Está indicada formalmente nos seguintes grupos de risco:
pessoas com risco ocupacional de exposição a sangue ou outros fluidos corpóreos contaminados com sangue: profissionais da saúde;
pacientes e equipe profissional de instituições para pessoas com deficiência mental;
pacientes em hemodiálise;
pacientes com alteração de coagulação, que recebem transfusões de fatores de coagulação;
contatos familiares e parceiros sexuais de pacientes cronicamente infectados com o vírus da hepatite B;
pessoas que viajam para áreas endêmicas de hepatite B (vide capítulo Vacinação do viajante);
usuários de drogas injetáveis;
homossexuais e bissexuais masculinos;
homens e mulheres com múltiplos parceiros sexuais.
Além desses grupos de risco, a vacina pode ser utilizada também
para adultos suscetíveis sem história prévia de vacinação na
infância ou na adolescência.
O esquema é de três doses: a 2ª um mês após a 1ª e a 3ª seis
meses após a 1ª. Nos pacientes imunodeprimidos recomendamse
quatro doses: as três 1ªs com intervalo de um mês e a 4ª seis
meses após a 1ª.
Nos pacientes com insuficiência renal crônica, em hemodiálise,
a dose utilizada é maior: 40 mcg (vide capítulo Vacina contra
hepatite B). Nesses pacientes está indicada avaliação sorológica
após o término da série completa. Caso o título de anticorpos
seja inferior ao nível considerado protetor (maior ou igual a
10 mUI/ml) nova série deverá ser feita. Se não houver viragem
após a segunda série, não há indicação para doses adicionais.
Outra recomendação nos pacientes em hemodiálise é avaliação
sorológica anual. Caso os títulos caiam abaixo do nível protetor,
uma dose de reforço deverá ser aplicada.
Vacina contra hepatite A
Está formalmente indicada nos seguintes grupos de risco:
pessoas que viajam para zonas endêmicas (vide capítulo Vacinação do viajante);
homossexuais ou bissexuais masculinos;
usuários de drogas;
portadores de doenças hepáticas crônicas;
pacientes com alterações dos fatores de coagulação;
profissionais da área de manipulação de alimentos;
profissionais da área de saúde;
profissionais que trabalham em creches;
profissionais que trabalham em instituições para deficientes mentais;
adultos internados em instituições para deficientes mentais;
profissionais que trabalham na rede de esgotos.
A vacina também pode ser utilizada para adultos suscetíveis. A vacina é aplicada em duas doses com seis meses de intervalo.
Vacina contra varicela
A maioria dos adultos está imune à varicela. Entretanto, os adultos suscetíveis devem ser vacinados, principalmente aqueles pertencentes aos seguintes grupos de risco:
profissionais da saúde;
contatos familiares de pacientes imunodeprimidos;
pessoas que trabalham com crianças: professores do ensino fundamental ou profissionais que trabalham em creches.
A vacina está contra-indicada na gestante; nos imunodeprimidos; nos pacientes com história de anafilaxia à gelatina ou neomicina e nos pacientes com tuberculose ativa. Após transfusão de sangue ou hemoderivados, a vacina deve ser postergada por cinco meses. O esquema para os adultos é de duas doses com intervalo de quatro a oito semanas.
Vacina contra tuberculose (BCG)
Não é recomendada rotineiramente em adultos. Entretanto, em algumas situações especiais poderá ser utilizada. São elas:
profissionais da saúde com reação de Mantoux negativa e que estejam expostos a pacientes com tuberculose ativa e/ou com Aids;
contatos de casos de hanseníase. Neste, caso aplicar duas doses com intervalo de seis meses a um ano.
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