Transtorno
do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
O nome Transtorno de Déficit de Atenção surgiu pela primeira vez em
1980, no assim chamado DSM-III (sigla em inglês para o Manual
Diagnóstico e Estatístico dos Distúrbios
Mentais, Terceira Edição).
Essa nova definição deixava claro que o ponto central do problema era a
dificuldade de se concentrar e manter a atenção.
Segundo
o DSM-III, havia dois tipos de TDA: o TDA com hiperatividade e o TDA
sem hiperatividade. Ambos os tipos envolviam a dificuldade de atenção,
mas as crianças que se enquadravam no TDA com hiperatividade eram
excessivamente ativas, impulsivas e comportavam muitas vezes de maneira
destrutiva, sendo que os portadores normalmente eram do sexo masculino.
As crianças portadoras de TDA sem hiperatividade normalmente tinham um
jeito meigo de ser e apresentavam poucas evidências de problemas
comportamentais, sendo os portadores em sua maioria do sexo feminino. O
DSM-III também reconhecia que as crianças com TDA muitas vezes se
transformavam em adultos com TDA e, em função disto, o termo “TDA-Tipo
Residual” foi incluído.
O DSM-III foi revisto em 1987 e os resultados da nova edição, o
DSM-II-R, eram um tanto controversos. Algumas pessoas achavam que na
descrição do TDA apresentada no DSM-III a ênfase na hiperatividade e
nos sintomas impulsivos havia sido excessivamente diminuída e, assim, o
nome do distúrbio foi alterado para a expressão “Transtorno de Déficit
de Atenção e Hiperatividade” . Por meio desta mudança, reconhecia-se o
fato de que tanto a desatenção quanto a inquietação estavam
frequentemente envolvidas no distúrbio. No entanto, a descrição do TDAH
no DSM-III-R infelizmente eliminou o subtipo TDA sem hiperatividade. Em
seu lugar, fazia-se referência a um “Tipo Indiferenciado” de TDA.
Esse
problema foi remediado no DSM-IV, mas a expressão TDAH foi mantida. O
TDA sem hiperatividade reapareceu como “Tipo Predominantemente
Desatento”, uma correção bastante necessária, mas que, ainda assim,
gera algumas confusões em relação à terminologia.
Segundo DSM-IV(2002), vários critérios devem ser cumpridos para que um
indivíduo se qualifique como portador de TDAH. Basicamente, a pessoa
precisa apresentar um padrão de desatenção e/ou
hiperatividade-impulsividade que se encaixe nos seguintes critérios:
1.
Persistência: o comportamento tem de persistir por pelo menos seis
meses.
2. Início
precoce: os sintomas têm de estar presentes (não necessariamente
diagnosticados) antes da idade de 7 (sete) anos.
3.
Freqüência e gravidade: a desatenção e/ou a
hiperatividade-impulsividade devem ter um caráter extraordinário quando
comparadas às de pessoas da mesma idade.
4.
Claras evidências de deficiência: o padrão comportamental do TDA
precisa causar uma interferência significativa na capacidade funcional
da pessoa.
5.
Deficiência em um ou mais cenários: os sintomas causam problemas sérios
em contextos múltiplos, inclusive na escola (ou no trabalho, no caso
dos adultos), em casa e em situações sociais.
A maioria das crianças apresentam todos esses sintomas, mas existem
algumas em que um desses padrões prevalecem, devido a isso, foi feita
uma divisão desse transtorno em três subtipos, com base no padrão
predominante de sintomas nos últimos 6 meses.
1.
Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade do Tipo Combinado,
recebe esse nome quando seis (ou mais) sintomas de desatenção e seis
(ou mais) sintomas de hiperatividade-impulsividade estão presentes. São
a maioria das crianças e adolescentes.
2.
Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade do Tipo Desatento,
recebe esse nome quando seis (ou mais) sintomas de desatenção estão
presentes.
3.
Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade do Tipo Hiperativo,
recebe esse nome quando seis (ou mais) sintomas de
hiperatividade-impulsividade estão presentes. Nesse caso, a desatenção
pode, com freqüência, aparecer também, porém o número de sintomas de
desatenção são menores que seis.
Abaixo, será explicado em detalhes cada um desses sintomas. P DSM-IV
fornece duas listas, cada uma com nove sintomas. A primeira lista
inclui manifestações de Desatenção:
a.
não consegue prestar muita atenção a detalhes ou pode cometer erros por
falta de cuidados nos trabalhos escolares ou outras tarefas;
b. tem
dificuldade em manter a atenção no trabalho ou no lazer;
c. não
ouve quando abordado diretamente;
d. não
consegue terminar as tarefas escolares, os afazeres domésticos ou os
deveres no trabalho;
e. tem
dificuldade em organizar atividades;
f. evita
tarefas que exijam um esforço mental prolongado;
g. perde
coisas;
h.
distrai-se facilmente com estímulos irrelevantes e habitualmente
interrompem tarefas em andamento para dar atenção a ruídos ou eventos
triviais que em geral são facilmente ignorados por outros.
i.
Freqüentemente se esquecem de coisas nas atividades diárias.
Essas
crianças até sabem o que deve ser feito, mas não conseguem devido à
dificuldade em realmente poder parar e pensar antes de reagir, não
importando o ambiente ou à tarefa. Rohde
(2000) afirma que, por outro lado, essas crianças são frequentemente
capazes de controlar os sintomas com esforço voluntário, ou em
atividades de grande interesse. Por isso muitas vezes, conseguem passar
horas na frente de um computador ou videogame, mas não mais do que
alguns minutos na frente de um livro em sala de aula ou em casa. A
segunda lista também inclui nove sintomas. Os primeiros seis são sinais
de Hiperatividade e os últimos três são sinais de Impulsividade:
Hiperatividade
a.
tamborila com os dedos ou se contorce na cadeira;
b. sai do
lugar quando se espera que permaneça sentado;
c. corre
de um lado para outro ou escala coisas em situações em que tais
atividades são inadequadas;
d. tem
dificuldade de brincar em silêncio;
e. parece
estar "a todo vapor" ou "cheio de gás"
f. fala
em excesso.
Impulsividade
a.
responde antes que a pergunta seja completada;
b. tem
dificuldade em esperar sua vez;
c.
interrompe os outros ou se intromete.
Conforme Phelan (2005), a impulsividade pode também prejudicar
seriamente a interação social da criança com TDA. Quando frustrada, ela
pode gritar com as outras crianças e, às vezes, até mesmo agredi-las
fisicamente ou empurrá-las, na tentativa de conseguir que tudo seja
feito do seu jeito. A impaciência de querer ser sempre a primeira da
fila e a tendência de agarrar coisas podem ser fontes constantes de
irritação para outras crianças. Ao conversar com crianças
Essas
manifestações comportamentais descritas acima desses três grandes
grupos de sintomas, geralmente aparecem em múltiplos contextos,
incluindo a própria casa, a escola, ou situações sociais. Para ser
considerado TDAH, algum prejuízo deve estar presente em pelo menos dois
contextos.
É
raro uma criança apresentar o mesmo nível de disfunção em todos os
contextos ou dentro do mesmo contexto em todos os momentos. Para
Benczik (2000), a criança oscila muito em suas atividades: um dia
parece estar bem, e no outro pode ter dificuldades consideráveis com a
mesma tarefa, ela mostra-se inconsistente em suas respostas.
Para DSM-IV (2002), os sintomas tipicamente pioram em situações que
exigem atenção ou esforço mental constante ou que não possuem um apelo
ou novidade intrínsecos, como quando precisam escutar professores,
realizar deveres escolares, escutar ou ler materiais extensos ou
trabalhar em tarefas monótonas e repetitivas.
Os
sinais do transtorno podem ser mínimos ou estarem ausentes, quando a
criança se encontra sob um controle rígido, ou está em um contexto
novo, ou ainda está envolvida em atividades especialmente
interessantes. Assim como, quando estão em uma situação a dois, como no
consultório médico ou enquanto recebe recompensas freqüentes por um
comportamento apropriado.
Os sintomas são mais visíveis em situações de grupo, principalmente na
escola, em atividades com outros crianças, sendo dessa forma essencial
o olhar dos profissionais que acompanham a criança nesses ambientes.
Maioridade
Por muito as pessoas acreditaram que o TDAH seria superado quando o
indivíduo estivesse prestes a se tornar um adolescente. Essa idéia
surgiu provavelmente da observação geral de que o sintoma geral do
distúrbio – inquietação motora – tornava-se menos intenso, as pessoas
tendiam a pensar que o resto do problema também tinha desaparecido.
As
listas do DSM-IV para os tipos Desatento e Hiperativo/Impulsivo são
usadas para diagnosticar tanto adultos quanto crianças com TDA/H. De
fato, , alguns sintomas “suavizam-se” quando os indivíduos crescem. As
características hiperativas e impulsivas tendem a diminuir mais em
termos de severidade com o passar do tempo; já os padrões que envolvem
desatenção, desorganização e a dificuldade de dar seguimento às tarefas
vão diminuir menos.
Portanto,
amaioria das crianças com TDAH conserva seus sintomas na idade adulta e
carrega também problemas adicionais que se derivam do fato de “crescer
com TDAH”. Conforme Phelan (2005), dentre os mais proeminentes desses
problemas “extras” estão a auto-estima diminuída, a visão pessimista da
vida, problemas para adotar um estilo de vida independente e grandes
dificuldades interpessoais. Crescer com TDAH também contribui para o
aparecimento de co-morbidades; os adultos portadores de TDA/H em geral
vão apresentar mais de um desses problemas.
O tratamento do Déficit de Atenção em adultos é, de certa maneira,
semelhante ao tratamento indicado para as crianças, abrangendo os
principais pontos:
1.
Psicoeducação acreca do transtorno;
2.
Medicação;
3.
Psicoterapia individual;
4.
Reexame das condições de trabalho.
É importante salientar que apesar de tudo isso, o tratamento não é
perfeito, pois é preciso muito trabalho, paciência, esforço por parte
do paciente. Segundo Phelan (2005), atacar os grandes e pequenos
trabalhos que a vida impõe e que foram cronicamente evitados, ou lidar
com emoções que são persistentemente exageradas, requer muito trabalho
árduo. Eis a Grande Questão quanto ao tratamento do TDA/H no adulto: o
tratamento para TDA vai ser mesmo seguido ou vaio se tornar
simplesmente mais um item na longa lista de projetos inacabados?
Referências utilizadas
-
BENCZIK, E. B. P. Transtorno de Déficit de Atenção/ Hiperatividade.
Atualização Diagnóstica e Terapêutica. Um guia de orientação para
profissionais. Casa do Psicólogo, 2000.
-
DSM-IV-TR – Manual Diagnótico e estatístico de transtornos mentais.
Trad. Cláudia Dornelles, 4 ed. revisada, Porto Alegre, Artmed, 2002.
- PHELAN,
T. W. TODA/TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. M.
Books do Brasil Editora Ltda, 2005.
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