Doença de Parkinson
Não tome decisões em relação a
sua saúde tendo como base estes textos.
Consultar um profissional
da saúde antes de qualquer ação/decisão é essencial.
Descrita pela
primeira vez por James Parkinson em 1817 [1], a doença de
Parkinson ou mal de Parkinson é caracterizada por uma desordem
progressiva do movimento devido à disfunção dos
neurônios secretores de dopamina nos gânglios da base, que
controlam e ajustam a transmissão dos comandos conscientes
vindos do córtex cerebral para os músculos do corpo
humano. Não somente os neurônios dopaminérgicos
estão envolvidos, mas outras estruturas produtoras de
serotonina, noradrenalina e acetilcolina estão envolvidos na
gênese da doença.
A doença de
Parkinson é idiopática, ou seja é uma
doença primária de causa obscura. Há
degeneração e morte celular dos neurónios
produtores de dopamina.
É
possível que a doença de Parkinson seja devida a defeitos
sutis nas enzimas envolvidas na degradação das
proteínas alfa-nucleina e/ou parkina (no Parkinsonismo
genético o defeito é no próprio gene da
alfa-nucleina ou parkina e é mais grave). Esses defeitos
levariam à acumulação de inclusões dessas
proteinas ao longo da vida (sob a forma dos corpos de Lewy visiveis ao
microscópico), e traduziriam-se na morte dos neurónios
que expressam essas proteínas (apenas os dopaminérgicos)
ou na sua disfunção durante a velhice. O parkinsonismo
caracteriza- se pela disfunção ou morte dos
neurónios produtores da dopamina no sistema nervoso central. O
local primordial de degeneração celular no parkinsonismo
é a substância negra, pars compacta, presente na base do
mesencéfalo.
Epidemiologia
Nos Estados Unidos, a prevalência da Doença
de Parkinson é de 160 por 100.000 pessoas, embora esteja
aumentando. Há mais de um milhão de sofredores só
nesse país. Noutros países desenvolvidos a
incidência é semelhante.
A idade pico de incidência são os anos 60, mas pode surgir em qualquer
altura dos 35 aos 85 anos.
O Mal de Parkinson
é uma doença que ocorre quando certos neurônios
morrem ou perdem a capacidade de atuar no controle dos movimentos do
corpo. Como conseqüência, a pessoa com Parkinson pode
apresentar tremores, rigidez dos músculos, dificuldade de
caminhar, dificuldade de se equilibrar e de engolir. Como esses
neurônios morrem lentamente, esses sintomas são
progressivos no decorrer de anos.
Manifestações
Clínicas
A DP é caracterizada clinicamente pela
combinação de três sinais clássicos: tremor
de repouso, bradicinesia e rigidez. Além disso, o paciente pode
apresentar também: acinesia, micrografia, expressões como
máscara, instabilidade postural, alterações na
marcha e postura encurvada para a frente.
Os sintomas
normalmente começam nas extremidades superiores e são
normalmente unilaterais devido à assimetria da
degeneração inicial no cérebro.
A clínica
é dominada pelos tremores musculares. Estes iniciam-se
geralmente em uma mão, depois na perna do mesmo lado e depois
aos outros membros. Tende a ser mais forte em membros em descanso, como
ao segurar objetos, e durante periodos estressantes e é menos
notável em movimentos mais amplos. Há na maioria dos
casos mas nem sempre outros sintomas como rigidez dos músculos,
lentidão de movimentos, e instabilidade postural (dificuldade em
manter-se em pé). Há dificuldade em iniciar e parar a
marcha e as mudanças de direção são
custosas com numerosos pequenos passos.
O doente apresenta
uma expressão fechada tipo máscara sem demonstar
emoção, e uma voz monotönica, devido ao deficiente
controle sobre os músculos da face e laringe. A sua escrita
tende a ser em pequeno tamanho (micrografia). Outros sintomas incluem
depressão e ansiedade, dificuldades de aprendizagem,
insônias, perda do sentido do olfacto.
O diagnóstico
é feito pela clínica e testes musculares e de reflexos.
Normalmente não há alterações nas
Tomografia computadorizada cerebral, eletroencefalograma ou na
composição do líquido cefaloraquidiano.
Técnicas da medicina nuclear como SPECTs e PETs podem ser
úteis para avaliar o metabolismo dos neurónios dos
núcleos basais.
Por outro lado, os
sintomas cognitivos, embora comumente presentes na DP, continuam a
serem negligenciados no seu diagnóstico e tratamento (COLLOCA,
2004). Existem evidências de distúrbios nos
domínios emocional, cognitivo e psicosocial (GUPTA e BATHIA,
2000), destacando-se: depressão (RICHARD, 2007),ansiedade (MEARA
e HOBSON, 1998); prejuízos cognitivos (WILLIAMS-GRAY et al.,
2007) e olfatórios (ALBERS et al., 2006); e, em particular, a
demência na DP (EMRE, 2004). A incidência de demência
na DP é seis vezes maior do que na população
geral, e a prevalência varia entre 10% a 50% (EMRE, 2004). Ela
é caracterizada por redução ou falta de iniciativa
para atividades espontâneas; incapacidade de desenvolver
estratégias eficientes para a resolução de
problemas; lentificação dos processos mnemônicos e
de processamento global da informação; prejuízo da
percepção visuoespacial; dificuldades de
conceitualização; e, dificuldade na geração
de listas de palavras (WILLIAMS-GRAY et al., 2006). O reconhecimento
precoce destes sintomas e seu tratamento são fatores cruciais
para uma melhor abordagem clínica da DP (ZESIEWICZ et al., 2006).
Anatomia
patológica
Macroscopicamente, há palidez da substância negra
e do locus ceruleus.
Microscópicamente, há perda de neurónios com
proliferação das células gliais. Os
neurónios afectados remanescentes apresentam
característicos corpos de Lewy, inclusões
citoplasmáticas eosinofilicas (absorvem o corante eosina)
contituidas por alfa-nucleina e parkina, além de outras
proteínas.
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