CMDC Reabilitação Cognitiva

    A memória é a primeira função cognitiva a ser afetada na doença de Alzheimer e é também a que mais compromete a qualidade de vida dos portadores dessa doença. Em virtude do aumento do número de diagnósticos precoces em pacientes com demência, está crescendo a procura por tratamentos que visam à melhora das funções cognitivas, além de possível retardo no progresso da doença.
    Os atuais tratamentos medicamentosos associados a terapias que envolvem intervenção não medicamentosa, como a reabilitação neuropsicológica, têm apresentado melhora das funções cognitivas e das dificuldades na realização das atividades da vida diária em pacientes com DA leve a moderada, além de promoverem apoio e informações aos familiares.
    O programa de reabilitação visa solucionar algumas dificuldades pontuadas a partir da avaliação neuropsicológica. Portanto, além de almejar tratar os déficits cognitivos, objetiva também tratar as alterações de comportamentos e emocionais, melhorando a qualidade de vida do paciente.




Tratamentos e Reabilitação

    O Serviço de Psicologia do CMDC conta com uma equipe multidisciplinar, podendo oferecer avaliação neuropsicológica, psicoterapia e reabilitação cognitiva, dependendo da particularidade de cada caso.
    O que é Reabilitação Neuropsicológica?
    É um conjunto de intervenções diagnósticas e terapêuticas com objetivo de restaurar a capacidade funcional do indivíduo, otimizando o potencial individual e minimizando os riscos de disfuncionalidade. O processo de reabilitação, portanto, parte da identificação das áreas de necessidade, hierarquização e multidiscilplinaridade dinâmica orientada a objetivos definidos, levando em consideração a história de vida. Todo este processo está baseado na avaliação neuropsicológica.
    Considerando os desafios impostos pela demência, a RN pode ser concebida como uma psicoterapia. Ou seja, ambos os processos se dão em contextos de ambientes terapêuticos organizados, com atenção voltada para o estabelecimento de uma relação terapêutica efetiva, para aumentar a consciência e autonomia do paciente e otimizar seu ajustamento através de metas realistas. A RN, portanto, envolve o manejo do processo de luto, readaptação do self, das metas para o futuro e das estratégias para solução de problemas, bem como desenvolvimento de estratégias de coping, o manejo do estresse e o apoio interpessoal (Vamos, 2006).
    O paciente, por sua vez, deve desempenhar um papel ativo em seu processo reabilitativo, atuando como co-terapeuta. Para isto, três condições devem ser consideradas: seu nível de insight, a tomada de decisão para mudança e a motivação para terapia.
    A análise dos fatores motivacionais envolvidos no processo de RN pode ser feito através do estabelecimento de um diagnóstico funcional. De acordo com (Miller, 1993), este diagnóstico leva em consideração:
    A Reabilitação Cognitiva se dedica ao treinamento de processos cognitivos para diminuir distúrbios de atenção, linguagem, processamento visual, memória, raciocínio, resolução de problemas e funções executivas (planejamento, organização, etc). Os exercícios objetivam a restauração clínica ou a compensação de funções. Há evidências de que, sobretudo em fases iniciais e moderadas de evolução das demências, a reabilitação cognitiva resulta em elevação dos níveis de qualidade de vida e lentificação das degenerações, principalmente quando complementados por medicamentos.
    Objetivos e fases da Reabilitação Cognitiva:

    1. Avaliação neuropsicológica;
    2. Promoção da motivação para mudança;
    3. Análise funcional do comportamento;
    4. Definição conjunta dos objetivos terapêuticos;
    5. Planejamento, escolha e execução de técnicas específicas;
    6. Avaliação dos resultados;
    7. Fase final: otimização dos resultados – generalização e encerramento da terapia.

    A reabilitação tem demonstrado melhora cognitiva, estabilização funcional e redução dos problemas comportamentais, sendo mais promissoras as intervenções que possibilitem abordagem individualizada diretamente relacionada com dificuldades diárias e pessoalmente relevantes, otimizando o funcionamento e o bem-estar, fornecendo suporte para autonomia e envolvimento social.
    Para déficits leves de memória, são recomendados treino compensatório e técnicas de intervenção voltadas para restauração dirigidas para facilitação de aquisição de habilidades específicas. Para déficits severos, não há evidências de restauração eficaz, sugerindo o uso de técnicas compensatórias. O tipo e a intensidade do treino produzem efeitos distintos, dependendo do perfil de comprometimento funcional, idade, escolaridade e outros fatores externos (Wood e Haase, 2000).
    Já em pacientes com quadros degenerativos em fases avançadas, o prognóstico é menos favorável. O que se espera, então, não é a recuperação de funções perdidas, mas sim, a manutenção e adaptação de algumas habilidades, a lentificação no declínio das funções cognitivas inevitáveis, o uso de estratégias paliativas como técnicas auxiliares, a adptação ao ambiente, o apoio ao cuidador e a melhoria na qualidade de vida.

REFERÊNCIAS:
Miller, P. H. (1993). Social learning theory. In: Theories of developmental psychology. New York: W.H Frreman and Company.
Vamos. M. (2006). Psychoterapy in the medical ill- A commentary. Australian and New Zeland Journal oh Psychiatric, v.40, 295-309.
Wood, G. M. O. & Haase, V. G. (2000). Efeitos do nível de auto-eficácia percebida e de programas de treinamento cognitivo sobre a capacidade de memória de trabalho de indivíduos idosos. Dissertação de mestrado. Programa de Pós-Graduação em Psicologia: Psicologia Social, UFMG. Belo Horizonte – MG.


Luciana Rossi Degrazia
CRP 07/12790

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