CMDC Medicina Preventiva: O que é e quando realizar Check-up?

    A bateria de exames que leva o nome inglês de “check-up” ganhou sua primeira forma no fim da década de 50, com o início do programa espacial americano. Os candidatos à astronauta tinham de submeter-se a uma série de avaliações físicas, para verificar se eles estavam aptos ou não a enfrentar um lançamento. Dez anos depois, o check-up foi incorporado aos receituários médicos. Durante muito tempo, no entanto, só se recorria a ele quando havia dúvidas sobre o quadro de um paciente. Era uma espécie de “tira-teima”.  A partir da década de 80, com o aprimoramento dos métodos diagnósticos e a certeza de que com isso é possível impedir a evolução de uma série de males, o check-up tornou-se um procedimento corriqueiro da medicina preventiva. Tanto que a idade média de homens e mulheres que fazem rotineiramente esses exames baixou de 45 para 35 anos. Houve ainda uma mudança na filosofia do check-up. Antes, solicitava-se a todos os pacientes uma série completíssima de testes. Hoje, vigora o check-up personalizado: há os exames básicos e aqueles que variam de pessoa para pessoa.
    Nos dias de hoje, temos vários tipos de Medicina Preventiva e níveis de prevenção. Como tipos citamos a Imunização(vacinas da gripe, tétano); Screening (tentativa de identificar doenças assintomáticas ou fatores de risco com exames); Mudanças estilo de vida (aconselhamento ao consumo moderado álcool); Quimioprevenção (uso de AAS no infarto). Os níveis de prevenção são:
  • Prevenção Primária: visa remover ou reduzir os fatores de risco. As medidas preventivas são aplicadas a uma população sem doenças, mas com fatores de riscos presentes. Voltada para a educação da população em relação à saúde e hábitos de vida. A Medicina Preventiva Primária tem como objetivo motivar o indivíduo para o desenvolvimento de autocuidados. Ex: imunização tentando diminuir os danos da gripe, parar o tabagismo visando diminuir risco de bronquite e câncer;
  • Prevenção Secundária: detecção precoce da doença através de exames. As medidas preventivas são aplicadas a uma população com doenças, mas sem manifestações clínicas. Ações dirigidas para fase inicial da doença, com o proposto de evitar ou diminuir complicações das doenças de base. Ex.exame de glicemia para diagnóstico de Diabetes;
  • Prevenção Terciária: diminuir a deterioração ou complicação da doença já estabelecida. Medidas preventivas focadas na cura ou estabilização de uma doença já existente, com manifestações clínicas – Doenças Crônicas. Atende pacientes com enfermidades complexas, os quais são acompanhados individualmente e constantemente, por equipes médicas multidisciplinares, inclusive com aconselhamento familiar. Ex: Uso da medicação correta após Infarto, uso de medicações na DPOC.
    Como em todas as áreas da medicina, também na definição de como deve ser uma avaliação médica periódica e de que exames devem ser solicitados para rastreamento devem ser utilizadas as melhores evidências científicas disponíveis. Existem instituições que se dedicam a avaliar essas evidências e elaborar recomendações nelas baseadas. As principais organizações que trabalham nessa área são a Canadian Task Force on Preventive Health Care (CTFPHC) e a U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF). Ambas dispõem de sites na internet, disponíveis para consulta livre. É claro que a definição do que deve ser feito em uma avaliação médica periódica deve ser individualizada, levando-se em conta sexo, idade, ocupação, hábitos e antecedentes de cada paciente. O médico, também, não deve fazer uma separação entre sua atuação na avaliação de sintomas existentes e o rastreamento. Em uma avaliação médica periódica, sintomas existentes devem ser investigados e, ao contrário, o momento em que um paciente procura o médico com algum problema deve ser utilizado para verificar se há necessidade de algum exame para rastreamento.
    Para um determinado exame ser considerado adequado para rastreamento, algumas condições devem ser satisfeitas: a doença a ser investigada deve ser importante, seja no seu risco de complicações e mortalidade, seja no seu impacto sobre a qualidade de vida; o exame utilizado deve ser eficaz; o exame deve ser aceito pelas pessoas; e, o mais importante, deve estar demonstrado que o tratamento da doença diagnosticada na fase pré-sintomática faz diferença. Talvez só seja eticamente correto fazer rastreamento para uma determinada doença se o seu diagnóstico quando ainda assintomática faça uma real diferença para as pessoas.
    O risco de ter uma doença varia com a idade, antecedentes pessoais e hábitos de vida. Estresse, obesidade, tabagismo e sedentarismo podem tornar a pessoa uma forte candidata ao check-up. O critério médico para solicitar os exames do “check-up personalizado” deve estar baseado na análise das informações desse histórico clínico e nos dados colhidos através do exame físico geral dos diversos aparelhos e sistemas do indivíduo (ausculta cardíaca, palpação de abdômen, dentre outros). Um homem de 30 anos, por exemplo, não necessita fazer os mesmos exames de um de 45, que não necessariamente fará os mesmos que um fumante ou portador de hipertensão arterial. Assim, os exames solicitados pelo médico serão direcionados ao perfil clínico de cada paciente, tendo em vista que tais exames serão mais adequados às suas necessidades pessoais, aumentando desse modo a eficácia da avaliação. Vale ainda frisar que esses exames preventivos desempenham um papel fundamental na avaliação de fatores de risco para doenças cardiovasculares, na prevenção do câncer, na prevenção e diagnóstico das doenças metabólicas (diabetes), deficiências nutricionais e alterações hormonais. O objetivo, por conseqüência, é fazer com que tais exames avaliem o perfil e os riscos de cada pessoa, mesmo as que não estejam doentes, para orientá-las a adotar hábitos que atenuem os riscos ou ajudem a tornar a saúde ainda melhor.
    Dependendo do resultado desses exames e da necessidade de cada caso, o paciente será então encaminhado a outros especialistas tais como: cardiologista, oftalmologista, ginecologista, etc.  Os exames mais complexos em que se usa a tecnologia de ponta são solicitados apenas quando os testes iniciais deixam dúvida ou levantam suspeitas de outras doenças. Neste programa de prevenção das doenças adotam-se tipos diferentes de recomendações e de exames de acordo com a faixa etária de cada indivíduo: Há o grupo de jovens adultos (entre 18 e 39 anos), o de adultos de meia idade (de 40 a 49 anos) e (de 50 a 64 anos) e o grupo de adultos da terceira idade (com mais de 65 anos).
    Efetivamente não há uma idade pré-determinada em que se recomende começar a fazer “check-up preventivos” de uma forma regular, pois as pessoas possuem fatores de risco individuais que irão determinar não somente a realização desse primeiro “check-up”, mas sobretudo a freqüência com que eles devem ser efetuados. Na realidade, o que vai determinar a freqüência com que os indivíduos devem submeter-se a esses exames é o seu primeiro “check-up”.
    Um aspecto fundamental da avaliação médica periódica é que ela deve estar estreitamente ligada a práticas de promoção da saúde. Só existe sentido no check-up se o seu principal componente for uma investigação cuidadosa de hábitos, estilo de vida e fatores de risco e se essa avaliação resultar na discussão cuidadosa com cada paciente das alternativas existentes para uma vida mais saudável. Este é o impacto principal de uma avaliação médica periódica e ele é muito maior do que o efeito potencial de todos os exames que forem solicitados. O benefício que um tabagista terá se o médico conseguir que ele pare de fumar supera em muito os benefícios eventuais de todos os exames que forem solicitados. Um check-up é mais que o resultado de uma série de exames. A avaliação da saúde global do indivíduo, as peculiaridades de seu estilo de vida e o conhecimento dos fatores de risco mais comuns para cada idade são fatores determinantes na promoção de sua saúde e bem-estar.

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